HISTÓRIA DE SÃO PETERSBURGO
Entre as famosas cidades do mundo São Petersburgo é a única no género: é tão nova que conhece a data exacta da sua fundação e em 2003 festejou o seu tricentenário.
Muitas cidades velhas ignoram a data da sua fundação e as circunstâncias do seu surgimento estão nubladas por lendas e tradições. São Petersburgo foi criada pela vontade do seu fundador soberano: o czar. Pedro I criou-a especialmente, não por partes mas de vez, como cidade-porto, cidade-fortaleza, cidade-capital dum enorme império.
É magnífico o traçado das suas largas avenidas, grandiosas praças e ruas ao longo dos cais, revestidos de granito, canais, pontes, palácios e templos. São Petersburgo estende-se em numerosas ilhas do delta do Neva, justificando os elevados epítetos de “Veneza do Norte” e “Palmira do Norte”. São Petersburgo, situada num terreno plano, é, no entanto, uma cidade de belas perspectivas e de magníficas paisagens urbanas que se descortinam desde muitos pontos.
A região, situada ao longo do rio Neva, chamava-se Ijora e pertencia desde tempos remotos a Novgorod o Grande. Nos séculos VIII-IX por aqui passava o caminho “dos varegues aos gregos”, da Escandinávia pelo Mar Báltico e vias fluviais até ao Mar Negro. Em 1617 os suecos apossaram-se das terras da Ijora. De 1700 a 1721 Pedro I lutou contra a Suécia pela saída ao Mar Báltico. Em 1703 o vale do Neva e a foz foram reconquistados. Assim abriu-se a famosa “janela para a Europa”. No dia 16 (27) de Maio de 1703 Pedro I começou a construir na ilha Zaiatchi a fortaleza Sankt-Pieter-Burg (mais tarde passou a chamar-se Fortaleza de Pedro e Paulo). Aqui mesmo foi fundada a primeira igreja da madeira em homenagem aos apóstolos Pedro e Paulo, precursora da actual Catedral de São Pedro e São Paulo. Aquele dia é considerado por dia da fundação da cidade.
Sob a protecção da fortaleza começou-se a construção da cidade nas duas margens do rio. Milhares de camponeses artesãos e soldados de todas as regiões do país reuniram-se naquele sítio. As obras realizaram-se em ritmos incríveis, mas isso custou incalculáveis vítimas ao povo russo. Além disso, revelou-se que o Neva era um rio pérfido: a primeira inundação ocorreu passados três meses depois do aparecimento da fortaleza de Pedro e Paulo. As cheias destruiriam muitas obras e causaram morte de muitas pessoas. Na história de São Petersburgo haveria ainda mais inundações catastróficas. Hoje em dia no Golfo Finlandês, em frente da desembocadura do Neva existe um dique que resguarda a cidade das inundações.
O primeiro navio estrangeiro chegou a São Petersburgo ainda no ano 1703 e em 1726 a cidade tornou-se o mais importante porto do país.
A cidade, que se pode ver hoje, foi construída durante o século XVIII e tomou a sua forma definitiva em meados do século XIX. Pedro I convidou os melhores arquitectos e especialistas em fortificações de vários estados europeus. Os seus talentos arquitectónicos e pictóricos dedicaram à cidade os italianos B.Rastrelli, G.Quarenghi e C.Rossi, o suíço D.Trezzini, os franceses J.B.Vallin de la Mothe, E.Falconet, O.Montferrand e Thomas de Thomob, o escocês Ch.Cameron, o alemão A.Schlueter e etc. Desde a época de Pedro I cresceu uma plêiada de arquitectos russos que criaram obras-primas na cidade: S.Tchevakinskiy, I.Korobov, P.Eropkin e etc.
Em 1712 a corte do czar e as instituições governamentais passam definitivamente a São Petersburgo que se transformou numa nova capital do Império Russo. A cidade cresceu rapidamente. Em meados do século XVIII a cidade passa a ser um centro da ciência e cultura russas. Foram fundados a Academia Naval, Universidade, Academia de Belas Artes. Instituto Mineiro e dezenas de outros estabelecimentos de ensino superior.
Em São Petersburgo viveram os grandes escritores e poetas russos: Alexander Pushkin, Nikolay Gogol, Lev Tosltoy, Fedor Dostoevskiy, Anna Akhmatova e é impossível imaginar alguma obra deles sem motivo da imagem da cidade.
Cidade dos czares, de nobreza, de intelectuais, mas ao mesmo tempo é cidade de artesãos, soldados-servos, operários e estudantes, São Petersburgo estava repleta de contrastes sociais e não é de admirar que chegasse a ser o berço do movimento revolucionário e centro das três revoluções: em 1905, em Fevereiro e Outubro de 1917.
Em 1918 a capital foi transferida para Moscovo.
Durante a sua existência a cidade três vezes mudou o nome: em 1914 passou a chamar-se Petrogrado porque a Rússia estava em guerra com Alemanha, em 1924 – Leningrado para eternizar o nome de Lenine e , afinal. Em Setembro de 1991 a cidade recuperou o seu nome inicial.
A Grande Guerra Patriótica marcou uma página heróica e trágica na história da cidade. Durante 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944, Leningrado foi sitiado pelo inimigo. Naquela altura, em Invernos mesmo frios e com muita fome a água encanada ficou congelada. O transporte urbano deixou de funcionar. As pessoas recebiam a ração mais baixa de pão: 125 gramas por dia. A cidade estava ligada ao resto do país somente por via aérea e pelo fio do “Caminho da vida” que passava pelo lago Ládoga coberto de gelo. Durante o cerco, por cada quilómetro quadrado da cidade caíram em média 16 bombas explosivas, 324 bombas incendiárias e 3290 projécteis de artilharia. No total, durante o bloqueio pereceram morreu cerca de uma milhão de pessoas, ou seja mais de um terço dos habitantes da cidade. Entretanto a população resistiu, a cidade não capitulou. É mais uma característica da cidade: Petersburgo-Petrogrado-Leningrado é a única capital europeia que jamais inimigos
ocuparam.
Para sentir melhor a alma desta cidade bela é melhor visitá-la durante períodos quentes, na época de noites brancas ou seja em Maio ou Agosto. Quando “uma penumbra transparente e um brilho sem luar” dão à cidade um aspecto enigmático e vaporoso.
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